Estudo mostra que idosos foram os que mais compartilharam notícias falsas nas eleições dos EUA em 2016

Os idosos talvez tenham o pior nível de alfabetização midiática na internet. É o que diz o senso comum, mas não só ele: novas pesquisas sobre a disseminação das chamadas “fake news” imediatamente antes e depois das eleições presidenciais de 2016 nos EUA.

Um estudo publicado hoje na revista Science Advances sugere que os usuários idosos do Facebook nos EUA seriam muito mais propensos a compartilhar notícias falsas e enganosas do que qualquer outro grupo etário.

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O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova York e da Universidade de Princeton, teve como foco a atividade no Facebook nos meses antes e depois da eleição. A equipe começou reunindo um painel de 3.500 usuários e não usuários do Facebook no primeiro semestre de 2016. Logo após a eleição presidencial, os pesquisadores solicitaram que os usuários do Facebook daquele grupo instalassem um aplicativo. Ele compartilhava os dados do Facebook, incluindo seus pontos de vista políticos e religiosos, com os pesquisadores. O Facebook aprovou o uso do aplicativo para pesquisa. Quase metade dos participantes que eram usuários do Facebook consentiu em disponibilizar seus dados de perfil.

Nos meses seguintes, os pesquisadores monitoraram os links dos participantes postados no Facebook. Eles compararam esses links com uma lista de sites de notícias falsas que o BuzzFeed reuniu para analisar em profundidade como “notícias falsas” superaram “notícias reais” no Facebook antes da eleição.

O estudo descobriu que mais de 90% dos participantes não compartilhavam links dos sites incluídos na lista de “notícias falsas”. Mas a maioria das pessoas que compartilhou artigos na lista de “notícias falsas” tinha mais de 65 anos.

Os resultados também mostram que as pessoas que se identificaram como republicanas e conservadoras eram mais propensas a compartilhar histórias falsas e enganosas do que democratas e liberais (18% contra 3,5%). No entanto, embora os pesquisadores tentassem remover sites partidários de sua lista (como Breitbart), muitos dos sites incluídos na lista estavam sendo usados ​​para espalhar propaganda pró-Trump e anti-Clinton.

Questionado pelo Gizmodo, o Facebook não quis comentar o estudo em si. Mesmo assim, um porta-voz compartilhou informações sobre os esforços da empresa para fornecer um contexto com o objetivo de ajudar os usuários a verificar a validade das matérias em seus feeds. Eles também compartilharam informações sobre pesquisas mostrando como as iniciativas do Facebook aparentemente estão ajudando a resolver o problema das notícias falsas.

É claro que muita coisa aconteceu no cenário online e de mídia desde 2016. Como os autores do estudo escreveram em um editorial no Washington Post sobre sua pesquisa, “nossos resultados enfocam o comportamento da mídia social de mais de dois anos atrás. Online, isso é praticamente uma eternidade.”

No artigo do Washington Post, eles também reconhecem que “não sabem se ‘ser velho’ está associado a compartilhar mais notícias falsas, ou se é ser da geração nascida antes de 1950” e não são capazes de dizer “se as pessoas criadas no ambiente digital moderno — os nativos digitais — compartilharão mais notícias falsas à medida que envelhecerem”.

Espera-se que pesquisas como essas ajudem as redes sociais a descobrir onde concentrar seus esforços na potencialmente fútil guerra contra as mentiras.

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