Executivo chinês da Huawei é preso na Polônia por acusações de espionagem

Autoridades polonesas prenderam um executivo chinês da Huawei nesta terça-feira (8). Identificado nas imprensas polonesa e chinesa como Weijing W. ou “Stanislaw Wang”, o homem é acusado de espionagem, mas detalhes das alegações ainda não vieram a público.

“A Huawei está ciente da situação, e estamos analisando isso”, disse um porta-voz da companhia a diversos veículos de imprensa na manhã desta sexta-feira (11). O rosto de Weijing W. foi borrado em reportagens na Polônia e na China, mas o executivo foi fotografado representando a Huawei em uma conferência em 2017.

A briga entre EUA e China não é só comercial, mas também tecnológica

De acordo com uma tradução em inglês de um artigo em polonês, Weijing W. estudou polonês na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim e foi contratado pela Huawei em 2006. Ele teria se tornado o diretor de vendas da Huawei na Polônia em algum momento de 2017, com uma ênfase nas vendas “no setor público”.

A imprensa polonesa noticia que um ex-funcionário de inteligência de alto escalão na Polônia também foi preso na terça-feira. O cidadão polonês, identificado como Piotr D., trabalhou anteriormente para a Orange Polska, filial polaca da empresa de telecomunicações francesa Orange, embora, por ora, nenhuma conexão foi feita com a Huawei.

As prisões, sem dúvida, serão vistas como um aumento na disputa de detenções de funcionários entre China e países ocidentais como Canadá e Estados Unidos desde 1º de dezembro de 2018. A diretora financeira da Huawei, Meng Wangzhou, foi detida no Canadá a mando do governo dos EUA por acusações de que ela havia violado sanções contra o Irã. Meng, além de ser uma executiva de alto escalão, é também a filha do fundador da Huawei, Ren Zhengfei.

A China deteve dois cidadãos canadenses quase imediatamente após a prisão de Meng — Michael Spavor e Michael Kovrig, acusados de ameaçar a segurança nacional chinesa. Pelo menos 13 canadenses foram presos desde a detenção de Meng, mas a maioria deles teria sido liberada.

Autoridades americanas importantes alertam há algum tempo que a relação da Huawei com o governo chinês é motivo de preocupação e que a tecnologia da empresa chinesa poderia ser usada para espionar cidadãos americanos. Mas foi só nos últimos dois anos que o mundo começou a ver proibições de tecnologia em ambos os lados do mundo.

A Huawei foi retirada das licitações de grandes contratos de infraestrutura de comunicações americana, britânica e australiana, como as redes 5G que estão a caminho. Além da espionagem rotineira, as autoridades norte-americanas estão preocupadas que a China possa simplesmente desligar todas as comunicações nos Estados Unidos se a Nova Guerra Fria escalar para uma situação terrível, em que tropas sejam enviadas.

Enquanto isso, ter um telefone da Huawei se tornou um ato patriótico na China desde a prisão de Meng, com lojas locais oferecendo descontos para pessoas com dispositivos Huawei.

A Nova Guerra Fria não vai embora tão cedo. Então, provavelmente é seguro apostar que muito mais prisões acontecerão, tanto na China quanto no Ocidente. Porém, se tem uma coisa que aprendemos a partir da história é que as picuinhas da Guerra Fria podem se tornar ameaças bem reais à segurança de todo o mundo.

[South China Morning Post]

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